Produzido pela jornalista da TV Assembleia, Márcia Carvalho, filme visa ampliar o debate sobre o diagnóstico tardio do transtorno e o preconceito ainda presente na sociedade

No mês de conscientização sobre o autismo, o Abril Azul, o programa Café com Notícias, da TV Assembleia Maranhão, exibiu, nesta terça-feira (14), uma entrevista com a jornalista Márcia Carvalho, autora do documentário “Entre Mundos”. A produção aborda o Transtorno do Espectro Autista (TEA), com foco no nível 1 de suporte em adultos, que busca ampliar o debate sobre diagnóstico tardio e o preconceito ainda presente na sociedade.
Durante a entrevista, foi destacado que, embora o IBGE estime cerca de 2 milhões de autistas no Brasil, especialistas apontam que esse número pode ultrapassar 6 milhões, evidenciando a subnotificação e a dificuldade de diagnóstico, especialmente na vida adulta.
Márcia Carvalho revelou que a motivação para a produção do documentário surgiu a partir de uma experiência pessoal: o diagnóstico tardio de sua filha. Segundo a jornalista, apesar de apresentar alto desempenho e funcionalidade, a jovem conviveu por anos com diagnósticos equivocados, como ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo. O reconhecimento do autismo trouxe um novo entendimento sobre sua trajetória. “Foi uma libertação”, afirmou.
Estigmas
A autora também criticou estigmas associados ao TEA, principalmente a ideia de que pessoas consideradas funcionais não podem ser autistas. Para ela, esses indivíduos são frequentemente rotulados de forma negativa ao longo da vida, sem que suas particularidades sejam compreendidas.
O documentário reúne relatos de pessoas que descobriram o autismo na fase adulta, como o caso de Ana Frazão, que, ao buscar atendimento para o filho, acabou identificando em si mesma características do espectro, além do diagnóstico de TDAH. A produção, segundo Márcia, carrega forte dimensão afetiva, por dialogar diretamente com sua vivência familiar.
A entrevista também abordou desafios enfrentados por famílias atípicas, como o alto índice de abandono paterno após o diagnóstico dos filhos e a resistência de familiares em aceitar a condição. Outro ponto discutido foi o preconceito relacionado ao acesso a direitos, como benefícios assistenciais, muitas vezes interpretados de forma equivocada pela sociedade.
Estruturado em diferentes narrativas, “Entre Mundos” apresenta histórias de personagens como Vera, João, Fernanda, Ana e Rosalvo, além da participação de especialistas nas áreas de psiquiatria, neuropsicologia e direito, com destaque para a legislação maranhense voltada às pessoas com TEA.
O documentário está sendo exibido na programação da TV Assembleia Maranhão e também está disponível no canal da emissora no YouTube. A proposta, segundo a autora, é sensibilizar o público, incentivar a busca por diagnóstico e contribuir para a redução do preconceito. “Não é esquisitice”, reforçou a apresentadora ao final da entrevista.
