Médica alertou para a importância do acompanhamento de um especialista para garantir escolha adequada, personalizada e segura para cada mulher

A contracepção feminina, seus mitos, escolhas e a autonomia da mulher foram temas centrais da entrevista concedida pela ginecologista obstetra Lícia Kércia ao programa Diário da Manhã, desta sexta-feira (6). A conversa abordou dúvidas comuns sobre métodos contraceptivos e reforçou a importância do acompanhamento médico para decisões mais seguras e personalizadas.
Ao ser questionada sobre a existência de um método contraceptivo ideal, a especialista foi enfática ao afirmar que não há uma opção única que sirva para todas as mulheres. Segundo ela, a escolha precisa levar em conta o momento de vida, o estilo cotidiano e as características individuais de cada paciente.
“Na verdade, a gente tem muitos métodos contraceptivos. O melhor método é o que se encaixa melhor na vida daquela mulher”, explicou.
A médica ressaltou que métodos bastante utilizados, como a pílula anticoncepcional, podem não ser adequados para todas, especialmente para aquelas que têm dificuldade em manter o uso diariamente. “Muitas mulheres não se adaptam, esquecem de tomar a pílula e acabam engravidando. Então, para essa mulher, não seria o método ideal”, afirmou.
Praticidade e segurança
Como alternativas, ela citou métodos de longa duração, como o DIU e o implante contraceptivo, conhecido popularmente como “chip”, que garantem maior praticidade e segurança.
Durante a entrevista, Lícia Kércia também chamou atenção para os efeitos colaterais associados aos métodos hormonais de uso oral, que passam pelo metabolismo do fígado.
“Quando a mulher toma a pílula, o hormônio acaba sendo metabolizado pelo fígado e isso pode trazer consequências, como dor de cabeça e náusea”, alertou.
Em contrapartida, ela destacou que existem métodos hormonais com melhor tolerância, como o DIU hormonal, o implante subcutâneo, o adesivo contraceptivo e o anel vaginal.
Automedicação
Outro ponto importante abordado foi a automedicação. A ginecologista destacou que muitas mulheres iniciam o uso de contraceptivos sem orientação adequada, o que pode provocar sintomas persistentes sem que a causa seja identificada.
“Não é qualquer pílula, não é para qualquer mulher. Cada mulher é única e precisa ser estudada para saber qual tipo de hormônio melhor se adapta à vida dela”, enfatizou.
Segundo a médica, dores de cabeça frequentes, alterações na pele e outros desconfortos podem estar diretamente relacionados ao método utilizado.
A entrevista reforçou a necessidade de informação, acesso a acompanhamento especializado e políticas públicas que garantam às mulheres o direito de escolher, com segurança e autonomia, o método contraceptivo mais adequado à sua realidade.
