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SÃO LUÍS – MPMA realiza palestra “Masculinidades” no Centro Cultural

Flávio Urra compartilho a experiência com grupos reflexivos de São Paulo

Com o objetivo de debater sobre o papel social do homem e promover reflexões para combater a violência de gênero contra a mulher, foi realizada na manhã da quinta-feira, 20, no auditório do Centro Cultural do MPMA, em São Luís, a palestra “Masculinidades”, ministrada pelo sociólogo e psicólogo Flávio Urra.

Ele é mestre em Psicologia Social (PUC-SP), especialista em Violência Doméstica (USP) e coordenador do programa “E agora, José?”, que promove a reeducação de homens autores de violência doméstica em Santo André, SP. “Estamos aqui para trocar experiências. Aqui, no Maranhão, o Ministério Público já tem uma política estruturada nessa questão dos grupos reflexivos para homens e a gente traz um pouco da vivência da Região do ABC, em São Paulo”.

Flávio Urra informou que a maioria dos homens chega até o grupo por encaminhamento do Poder Judiciário devido a aplicação de suspensão condicional da pena. “A participação no grupo é uma obrigação imposta pela justiça para esse homem estar em liberdade. Nesse grupo, trabalhamos para descontruir essa violência que a gente aprendeu a executar como homens e tratamos formas de como agir e não ser violento, ter autocontrole e respeitar a mulher”, explicou.

Segundo o palestrante, vários homens deram depoimentos dizendo que se não tivessem participado do grupo teriam matado suas ex-companheiras. “O que a gente percebe é que o feminicídio é uma morte que pode ser evitada se esses homens tivessem passado por um trabalho como esse, de reflexão, de pensar no direito do outro. Eu defendo que esse trabalho esteja em todos os espaços e, principalmente, nas escolas, a fim de romper essa prática da violência”, afirmou.

Participantes da palestra receberam orientações sobre a dinâmica de grupos reflexivos para homens

A promotora de justiça auxiliar da Escola Superior do MPMA, Elyjeane Alves Carvalho, destacou a importância do debate acadêmico sobre o tema. “Possibilitar discussões como a desta manhã é estimular a ampliação da concepção do que viria a ser homem em uma sociedade que precisa repudiar qualquer forma de violência de gênero e permitir que seus indivíduos possam construir suas concepções do ser como quiserem, desde que respeitados direitos fundamentais”, declarou.

Em seguida, a titular da Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher de São Luís, Selma Martins, deu as boas-vindas ao público presente, formado, em sua maioria, por profissionais e estudantes de Psicologia, Serviço Social e Direito. “Agradeço a presença de todos, pois o envolvimento de diversos segmentos da sociedade e com a união de esforços são fatores estratégicos para combater a violência contra a mulher”.

Combate à violência contra a mulher foi um dos temas abordados

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência de Gênero (CAO-Mulher), Sandra Fagundes Garcia, enfatizou o avanço dos grupos reflexivos para homens e a redução da violência entre os participantes. “Já temos no Maranhão a experiência de grupos em várias cidades como São Luís, Imperatriz, Balsas, Açailândia, Barra do Corda e Pinheiro. O próximo município a ter um grupo é Grajaú. A reincidência da violência nos homens que participam dos grupos é zero. Nenhum homem voltou a descumprir medida protetiva ou agredir novamente outra mulher”.

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